Acho que era 5 de julho, um sábado. Sempre tive dificuldades de saber em que dia estou. Sofro com os dias da semana que são sete. Os do mês – que variam de 28 para 30 – pior. Quando junto a isso viajar 24 horas e antecipar um fuso em 11 horas, dá merda. Saí de São Paulo na quinta às 19h. Viajei 24 horas. Cheguei no sábado às 5:30 da matina. Minha nova morada: China.
Devo ficar aqui até o final de setembro. Poltrona na janela para a despedida final de minha cidade e olhos para a capital chinesa Beijing. Cresci acreditando ser Pequim. Foi, até que os chineses resolveram converter sua nomenclatura ao nosso alfabeto. Virou Beijing e não se fala mais nisso, ok?
- Hada, hada!, responderiam esses meus anfitriões. Ok, ok!
Vôo internacional vem alto. 38.000 pés em média. Uns 12.500 metros de altura. Na luz do dia vejo a Espanha, a França, a Rússia. Peço uma cerveja gelada bem acima dos Montes Urais. Dão-me uma Brahma em lata produzida em algum canto do Brasil. Um brinde ao Santos Dumont que me proporciona o prazer de voar.
O primeiro olhar que nada vê
São 5 horas da manhã e o dia está claro. Abaixo, a espessa nuvem de poluição. Sim!!! Ver o solo chinês de um avião é algo pouco comum nessa época do ano. Dizem que em outubro fica azul. Em sete dias aqui, só ontem ganhou cor diferente do cinza costumeiro. Já perto do solo, uns 4.000 pés, a visão embaçada de telhados azuis. Devem ser fábricas.
Tocamos o solo às 5:30h naquele que deve ser o maior aeroporto do mundo. Imponente, grandioso e que recebe luz natural. Se assim não fosse, onde arranjar energia para esta nova versão da muralha que, em vez de afastar, recebe os invasores? A tensão dos meses de preparação para a viagem acabam ao passar pela imigração.
Tenho um visto bom. Um ano de permanência desde que sai a cada 30 dias para outro país vizinho. Burocracia fácil de resolver.
Na saída está Sandra, a paranaense minha anfitriã. Começa aqui um ciclo de viagens e descobertas que conto depois.
domingo, 13 de julho de 2008
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